domingo, 16 de maio de 2010

Atrás de uma grande menina...

Meu avô Manoel é um amor. Quem olha ele pela primeira vez treme de medo. Ele é emburrado, reclama de tudo, detesta bagunça. Quando a família reune na cozinha e começa o converseiro ele, lá na copa, aumenta a tv até o máximo e sabemos que é ele reclamando da conversa. 

Mas quando eu choro ou estou tristinha ele corre para dizer: - Vovô protege, vovô protege!!! Desde que eu era pequena é ele quem leva eu e minha mãe nos médicos, nas terapias. O celular dele toca toda hora, porque toda hora ele tem de levar algum neto para algum lugar. 

Ele era bem gordinho e cismou de ir para academia, agora está magrinho igual a uma panquequinha. Tem sete anos que ele estuda inglês e o sonho dele é ir aos Estados Unidos. Ele gosta de seriados e eu implico quando ele assiste 24 horas porque não gosto daquela musiquinha. Ele aluga o seriado Star Gate, porque na hora que passa na TV eu estou assistindo os meus programas. Meu vô é assim, reclama, reclama, mas faz tudo que a gente quer.


sexta-feira, 14 de maio de 2010

ela me chama de guaxinimmmm....

Sábado que vem minha irmã faz aniversário. 15 anos, é uma data especial. Ela implica comigo, me chama de guaxinim. É por causa do meu nariz pequenino e meu rosto redondo. Eu acho ela muito chata e falo isso para todo mundo. A gente não se entende, não quando minha mãe está por perto. 

Mas deixa minha mãe brigar comigo que ela vem logo dizendo: - 'Tadinha, mãe! Eu também não gosto quando a mãe xinga a Rafa. Tenho de contar uma coisa: Adoro quando ela diz: - Nana, vamos juntar as camas hoje?

No outro dia levantamos muito tarde, porque conversamos e rimos até de madrugada. De vez enquando ouvimos minha mãe lá do quarto: - Vocês duas, vão dormir!!! Rimos e voltamos a brincar até cair no sono.

Gratidão


Obrigada, Fouad , muito linda a homenagem!!! Pra você o meu olhar, por cima das lentes do mundo!!!

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Papo Reto

Este é o interior da igreja de Cordeiros. Se ampliarem a foto, vão notar um presépio à direita. Na véspera do natal passado o pessoal da comunidade promoveu uma novena. Eu e Nana fomos numa noite na hora da reza. Antes da novena, um terço. Ela passeava pela igreja em sua cadeira-de-rodas, começaram as aves-marias e ela se aproximou de mim. - Mãe, eles só repetem, repetem... A avó: - Chiiiiiii...Estamos rezando. Ela não deu bola. Tentei segurar a cadeira para não piorar as coisas e ela se desvencilhou de mim e foi em direção ao presépio. Chegou lá, abaixou-se na direção do menino Jesus e disse: - Oi, Jesus! E voltou para meu lado e ficou quieta até o final.

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Confesso...

Dia 19 agora meus pais fazem 20 anos de casados. Tenho de confessar, a culpa é toda minha. Eles se conhecem há muito, muito tempo. Quando eu era bem pequena minha mãe chamou eu e a Rafa para uma conversa. Ela disse que não iria mais namorar o meu pai. Eles ficaram separados por 5 anos.

Foi aí que eu comecei com meu plano. Eu pedia para minha mãe ligar sempre para ele. Quando ele desligava eu dizia: - Mãe, meu pai mandou um beijo. Às vezes, eu perguntava para meu pai: -Você quer falar com minha mãe? Também peguei muito no pé dela e sempre perguntava onde ela andou, quando chegava mais tarde.

O meu melhor truque era assim: Eu estava no colo de meu pai, como nesta foto especial aí em cima. Aí eu chamava a minha mãe e mandava ela ficar muito perto da gente. Quando ela chegava  bem perto eu agarrava ela pelo pescoço e mandava meu pai dar um beijo nela. No começo os dois ficavam bravos, mas eu nunca desisti.

Quando a gente sentava junto para almoçar ou jantar fazia todas as pessoas darem as mãos e dizia: - Família unida!!!! Minha mãe diz que não sabe de onde eu tiro essas coisas. Oras, do coração,  de onde mais? Continuei muito tempo com os meus truques e meu pai e minha mãe foram deixando as birras de lado.

Até que um dia. No dia especial que tiramos esta foto. Eles não resistiram e trocaram: -Um lindo beijo de amor verdadeiro... Como a Encantada. Foi no aniversário da vovó Tetela, lá em Cordeiros . Isto aconteceu há uns anos atrás, e agora eles podem comemorar 20 anos de casados, e como eu disse: A culpa é toda minha...

segunda-feira, 10 de maio de 2010

"Nada que vale a pena saber pode ser ensinado." Oscar Wilde



Eu odeio fazer provas. A estagiária me leva para a biblioteca e lê a prova para mim, ainda não sei ler, para  que as outras crianças não ouçam o que ela está lendo vamos para a biblioteca. Eu não gosto disto, mas minha mãe conversou comigo e disse que isto é justo e eu entendi. Também não sei escrever e nem todas as perguntas eu compreendo quando ela lê para mim. E quando eu compreendo não sei escrever a resposta. Minhas notas são muito baixas.

Eu queria poder falar só de coisas legais. Mas fazer provas me deixam chateada. Minha mãe disse que as pessoas normais ainda precisam aprender a enxergar as pessoas especiais. A gente acaba sabendo de histórias de outras crianças especiais. Tem uma escola aqui que resolveu o "problema" colocando todas as crianças de inclusão na mesma sala. A diretora desta "escola", para piorar a situação, para punir um menino "normal" que tava fazendo bagunça colocou ele para passar a tarde na sala das crianças especiais. Tem uma colega lá da clínica que frequentamos que foi recusada numa escola particular conhecida aqui de BH. O que sente uma mãe quando uma escola que é mantida pela igreja que ela frequenta recusa a matrícula de sua filha? Isto sem contar as histórias que ouvimos de crianças especiais que são deixadas no cantinho, que não são levadas para aulas de educação física, para o recreio, que não participam das festas das escolas ou das apresentações. E olha que nem falamos ainda da acessibilidade.

Quando minha mãe faz as tarefas comigo ela vai perguntando até eu entender a pergunta,ou quando eu não entendo ela me ajuda a compreender. Ela diz que fica feliz quando eu, depois de tentar muito, olho para ela e digo: -Legal!!! Ela anota as respostas para mim ou, quando são poucas palavras, eu mesmo anoto. Ela vai ditando a palavra para mim, ela repete muitas vezes e eu vou escrevendo a palavra devagar, sílaba por sílava. Ela sabe que muita coisa vai contra o que os professores super experientes acham que é o jeito correto de ensinar, mas isso que é o bom de ser mãe. Ela não precisa se importar com isto. Ela pode olhar além dos livros e me enxergar. O que ela quer conseguir é o meu "Legal!!!" Ela sabe que muitas daquelas questões que são riscadas nas minhas provas eu saberia responder...

Minha mãe sente muito orgulho do que sou. Os médicos disseram que eu viveria mais uns seis meses. Isto, quando eu tinha dois anos e meio. Hoje eu tenho doze anos e estou a todo vapor. Ela costuma fazer uma comparação. Quando uma criança nasce com alguma deficiência ou doença, espera-se que esta criança atinja uma certa porcentagem das funções normais esperadas. Geralmente, quando esta criança é assistida e estimulada, ela supera esta porcentagem várias vezes. Uma pessoa "normal" nasce com 100% de possibilidades. Quantas pessoas vocês conhecem que atingiu 100% de seu potencial?

Eu Já Sabia...

Quando eu falei com minha mãe que a árvore podia tirar os pés de dentro da terra e sair atrás de mim, todo mundo riu. Disseram: -"Isso nunca vai acontecer!!!!" Rá, rá, rá, Tá aí a prova. Árvore tem ou não tem pé? Quando eu digo que sou corajosa, ninguém acredita. Tudo bem, não sou tão corajosa quanto este moço aí. Esse sim, merece o troféu Super Corajoso...

domingo, 9 de maio de 2010

Da Série: O importante é ser feliz



Eu adoro Lady Gaga, sei lá, acho que são as roupas, a alegria, as fantasias. Encontramos esse pessoal aí no Youtube, uns bezerros desmamados, como diz nossa amiga Líria, ué, mas gostamos deles, fazer o que, né?

só hoje...

Só hoje, por que é Dia das Mães eu e a Rafa na mesma foto sem brigar. Ela me chama de guaxinim e eu acho que minha mãe gosta mais dela. Ela diz que não, que minha mãe só gosta de mim. Ah, Rafa, será que ela não gosta das duas???? Ah, esta aí na rede com a gente é a Sharon, a poodle da Tia Rosa.

sexta-feira, 7 de maio de 2010

casa suspensa com nariz e roberta

Sou suspeita quando falo dos desenhos da Nana, porque amo todos. Ela repete as coisas, repete, repete. Nas festas só come bolo de chocolate, brigadeiros e coxinha, no máximo uma empada. Se pudesse comeria arroz e carninha picada todo dia. Só bebe água. Limonada só se o pai fizer e sem gominhos. De manhã, pão frito. Dormir, na mesma posição. Para-casa, assim que eu chego do trabalho e ai de mim se dizer pra deixar para o dia seguinte. Se quer alguma coisa para o Natal pergunta todos os dias se eu vou comprar. Quando senta para desenhar, os jardins, com nuvem, com sol, com borboletas ou chuva, mas sempre os jardins. De repente acontece de terminar o desenho e dizer sorrindo: - Olha mãe, desenhei uma casa com nariz. Tão feliz, mas tão feliz que parece ter descoberto um outro mundo. O Roberta na outra página? Acho que é só para doer por dentro uma dorzinha boa.

quinta-feira, 6 de maio de 2010

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Casa em dia de sol / Casa suspensa e menina em dia de chuva

Estes desenhos são do caderno de desenho da Nana. Ela prefere desenhar jardins e casas. Quando só aparece uma pessoa no desenho é ela mesma. Se olharem bem, todo desenho de menina tem duas "anteninhas" que saem da cabeça. Giovana sempre foi muito sonhadora, um tempo atrás ela ainda não desenhava e pedia para que eu a desenhasse. Cada vez me pedia para desenhá-la fantasiada de alguma coisa: de fada, de oncinha, de cachorro, de sereia, etc. O seu desenho preferido foi um que fiz dela vestida de coelhinha, as antenas nos desenhos dela são as orelhas da fantasia de coelho que desenhei daquela vez. Ela tem muito orgulho destas orelhas e toda vez que alguém pergunta o que são estas antenas , responde toda feliz: - São minhas orelhas de coelho!

Quem tem medo de cupcakes?



Eu sou uma menina muito corajosa. Quando a Rafaela sai correndo com medo de barata eu corro pra dizer: -"Deixa que eu mato!"  Mas, tem coisas que nem pessoas corajosas como eu conseguem encarar. 

Eu morro de medo de árvores, minha mãe diz que ela não vai tirar os pés de dentro do chão e sair atrás de mim. Se ela pode balançar os braços, deve poder mexer com os pés também, não é mesmo? Não gosto quando as sacolas vazias passeiam no chão, nem as bolas de cabelo. Tenho medo de careta e de luvas.

Minha mãe trouxe para casa ontem uma caixa. Chegou dizendo: -"Olha, Nana, que lindinhos!!!" Pareciam mesmo. Uns bolinhos coloridos muito engraçadinhos dentro da caixa. Fiquei com tanta vontade de comer que fui logo enfiando a mão lá dentro. Ai, ai, ai, meus dedos afundaram no glacê e eu me assustei muito. Comecei logo a chorar. 

Minha mãe disse que iria me mostrar de perto. Foi tirando o papelzinho de baixo e me mostrando que tinha era um bolinho debaixo do glacê. Não é que nesta hora o tal bolinho virou e sujou todo o meu rosto de glacê? Foi outro chororô. 

Ela tentou me consolar, disse que a Fernanda tinha feito especialmente para mim. Ela colocou até uma bandeirinha escrito "nanica timbutica". Contou também que o tal bolinho chama é cupcake, mas eu não parava de chorar. Aí eu disse a ela que não gostava deles. Foi quando ela me contou que iria pedir à Fernanda para fazer os meus de chocolate, com cobertura de brigadeiro. Não teve jeito, eu tive de aceitar, não é?

Vocês devem estar pensando que sou medrosa. Mas olha só, são poucas coisas que me dão medo:

  • cupcakes
  • sacolas vazias andantes
  • bolas de cabelo passeando no chão
  • quando a tv aumenta de repente
  • quando minha mãe me confunde com a Samara do filme enquanto enxuga meu cabelo
  • quando me escondo debaixo da coberta e ninguém me encontra
  • de mãos com luvas
  • de bonecas com cabelos de lã
  • de bonecas que não piscam os olhos
  • de brinquedos cabeludos
  • de plantas 
  • de esquecer das coisas que quero levar
Fora isso sou a pessoa mais corajosa do mundo!!!
 
 

terça-feira, 4 de maio de 2010

amigas em dobro

Acontece assim, primeiro você conhece alguém, depois fica amigo, depois é convidado para a festa. Com a Lavínia e a Corinne foi diferente. Primeiro eu fui convidada pela mãe das meninas para ir na festa de aniversário delas. Eu fiquei super empolgada e quase não consegui ir na festa. A minha Tia Rosa não gosta de dirigir, aí o meu pai tinha de vir para levar a gente. Ele não chegou a tempo. Aí meu avô Manoel saiu todo gripadinho para levar a gente. Ainda bem, porque a festa foi ótima, eu nem queria ir embora. As meninas são demais e conheci muita gente legal. Comi 2 brigadeiros, mas minha tia Rosa fica contando para todo mundo que foram mais de 5. Eu adoro fazer novos amigos e se tem brigadeiro então??? Hummm, Delícia...

Este desenho foi a mãe das meninas quem fez, aí em baixo o lado de dentro do convite. Puxa vida, que desenho lindo! 

domingo, 2 de maio de 2010

docinhos de leite em pó



Outro dia a gente aprendeu uma receita de docinho de leite ninho, foi na aula de matemática. Eu, minha mãe e meu pai resolvemos testar a receita. Minha mãe comprou os ingredientes, todos desta vez, mas esqueceu a receita na casa da minha avó.

Eu disse que ela comprou todos os ingredientes? Não, ela trocou o açúcar de confeiteiro por coco ralado queimado (queimado?). Eu disse a ela que era doida. Tinha de colocar o leite de coco aos poucos e ela mandou eu colocar tudo de uma vez, ficou muito mole. Mas minha mãe resolveu o problema. Ela misturou o coco ralado queimado no meio da massa. Foi bem legal, eu pude colocar os ingredientes, e ela me ajudou a enrolar. Eles ficaram um pouco escurinhos e o coco ralado que sobrou não deu pra enfeitar todos. Passamos açúcar nos outros.  É bem fácil, e na segunda vou levar para os meus colegas de aula e deixei um pratinho na casa da minha avó também. 

Eu comi alguns, mesmo assim ainda sobrou bastante para todos. Tem coisas assim. Não são tão interessantes, mas são muito, muito, muito gostosas.